carregando
logo

Artigo

Presidente do diretório de Araputanga anuncia saída do PSD

access_time chat_bubble_outlinePolítica
FONTE

O vereador, presidente da Câmara Municipal de Araputanga, Ilídio da Silva Neto anunciou na última Sessão Ordinária de 2012 (17/12/12), que deixará a política. Para isso, deixará a presidência do diretório Municipal do Partido (PSD) e também se desfiliará do partido.

A revelação foi feita no Tema Livre da última Sessão Ordinária de 2012, na Câmara Municipal.  o vereador havia recebido, em sua residência, a reportagem da Folha de Araputanga, para uma entrevista que está publicada na edição escrita nº 27 referente ao mês de dezembro/12. Com o anúncio feito na Tribuna da Câmara Municipal de Araputanga, passa a ser oportuno publicar na íntegra a entrevsita.  Ilídio recebeu título de cidadão matogrossense da Assembleia Legislativa, indicado pelo deputado Airton Português.

 Leia o que disse o vereador, na entrevista concedida na semana seguinte em que recebeu a honraria da Assembleia: 

 

     Presidente do PSD em Araputanga, vereador pelo 4º mandato consecutivo ele recebeu título de cidadão mato-grossense a pedido do deputado Airton Português na Assembleia Legislativa.

     O vereador Ilídio recebeu, em sua residência, a reportagem da Folha de Araputanga, para uma conversa franca no último mês de 2012. A entrevista você lê a seguir:

Folha de Araputanga – Título de cidadão, por quê?

Ilídio – Há muito tempo, no primeiro mandato do então prefeito Português eu assumia o mandato de vereador pela primeira vez. Naquela época, encontramos o Recinto Jaime Campos, sem nada construído, só tinha o Canchim Leilões e o curral, Eu e o Português, juntamente com a sociedade, os empresários e os fazendeiros ganhamos a liberdade e trabalhamos, por nove anos, como parceiro para essa entidade. Acredito que por essa razão, veio agora, o Título de Cidadão Mato-grossense para as pessoas que agem no Sindicato Rural de todo o Estado e eu fui agraciado entre elas, como grande parceiro. E não é somente isso, tem várias obras em nosso município, como: a Sede da 2ª Cia da Polícia Militar, aquela grande polêmica do Cemitério, enfim, todas as obras da sociedade que precisa de uma mão amiga, eu estou junto, nunca neguei ajudar, sempre dedicando à verdade e à honestidade

Folha – Depois de quatro mandatos na função de vereador, o que você leva da atuação política?

Ilídio – Muita experiência. Boa e ruim. Na política tem as duas, você segue o que você acredita ser melhor para sua atuação. Eu tenho lembranças, boas e não boas.

Folha – Qual foi o maior desafio que você já enfrentou na atuação política?

Ilídio – Conviver com pessoa traíra ter que falar a verdade e, a maioria não gosta que se fala a verdade. Na política, o jogo é bruto, duro e enganoso. Enganou a muitos e vai continuar a enganá-los.

Folha – Vale a pena ser vereador?

Ilídio – Em uma parte sim e na outra não. Você entra na sociedade, você leva, você tem fama. Porém, financeiramente falando, não vale a pena. Mas se você acha que é vantagem deixar o seu nome em uma praça, ou em uma placa, muitos políticos acham que é uma grande vantagem. Mas para mim, não é vantagem.

Folha – Então você está afirmando que financeiramente você não ganhou dinheiro ao atuar na política?

Ilídio – Perdi. Quando entrei na política eu tinha a maior loja de Araputanga, tinha vida própria. Eu me “enterrei” quando entrei na política.

Folha – Algumas pessoas comentam sua vida fazendo a afirmação: Atuando na política, você sempre foi vereador, agora não terá mais mandato, a partir de janeiro. Como Ilídio vai viver? 

Ilídio – Eu vou viver muito bem. Eu tomava dois comprimidos para baixar a pressão e hoje, não tomo nenhum, só de falar que vou parar com a política. Eu dediquei à honestidade, à transparência atuei em favor do povo araputanguense. O povo não me quis eu tirei a cruz de cima de mim, e a minha cruz ficou tão leve que agora estou “voando”. Dever cumprido. Eu tenho 16 anos de mandato, sempre fui um homem dos mais críticos inclusive aos meus colegas e à sociedade. Alguns perguntam: por que isso? Recordando a Bíblia Sagrada diz que viria um tempo que falar a verdade será vergonhoso diante da nação. E, por eu falar tanto a verdade para tantos críticos que tem por aí, Jornais, que tem por aí, pegou como se eu falasse mal, mas quem compreende sabe que eu falei bem. Como construtor, tenho minha vida própria, tenho minha empresa e há muito tempo eu já vivia disso. Você pode observar que nos últimos três anos eu não tive sossego de um segundo, só trabalhando ou pelo povo ou em obras particulares. O que eu tenho é conquistado com meu suor, de ser pedreiro, carpinteiro, eletricista e todos os outros trabalhos necessários para realizar uma obra.

Folha – A política “abre caminhos, isto é, abre as portas” para o construtor Ilídio? Ajuda a ganhar dinheiro?

Ilídio – Não. Decepciona. Política não dá dinheiro. Dá para pessoas que não tem a qualidade que eu tenho.

Folha – Ser presidente de partido traz alguma vantagem ao político?

Ilídio – Não. Traz engano e decepção, por que ser um político honesto, hoje, não vale a pena.

Folha – Você tem experiência internacional, já esteve por três vezes nos E.U.A. tem inclusive familiares fora do país. Depois dessa experiência é possível dizer que nós araputanguesenses estamos caminhando para ser, em breve, povo do primeiro mundo?

Ilídio – Não. Nós estamos muito longe. Nós não temos Educação, não temos sinceridade, não temos honestidade. O maior valor do homem nós não temos no país, é ser sincero diante do próximo.

Folha – Ao ser derrotado na última eleição e, ao dar essas respostas às perguntas feitas até este ponto, você está revoltado com o povo araputanguense?

Ilído – Não. Eu amo o povo de Araputanga. Tudo eu devo ao povo de Araputanga. Eu estou falando isso como experiência da vida pública. Eu já “apascentei” os dois lados. Eu conheço o bom e o mau. Eu posso decidir. É doído falar a verdade numa época como a nossa. Eu agradeço àqueles que votaram em mim e peço à Deus que abra a mente de cada pessoa, porém, a verdade dói, mas tenho que falar a verdade.

Folha – Você se empenhou por diversas obras no município. Trabalhou pela canalização de córrego, pelo cemitério, lutou pelo Lago Azul, pela água de Araputanga, entre outros. Você se arrepende de alguma coisa?

Ilídio – Não. Esse é o meu dever como político. E não tenho arrependimento nenhum, nem de ter recebido o apelido de tatu. Esse é um marco para minha vida. É um orgulho para os araputangueses ter uma pessoa como eu, sem letra, pobre, mas que traz no peito honestidade e transparência e até o momento, sou duro nas palavras, mas quem convive comigo sabe que sou um homem de caráter, de honestidade e transparência, sim, sim, não, não.

Folha – Vereador, o Senhor presidiu o PP e agora o PSD. No atual partido, o PSD, o seu grupo político foi derrotado. O que deu errado?

Ilídio – Estratégia política.

Folha – Saindo do mandato, você vai deixar o PSD?

Ilídio – Acredito que sim. Meu dever como político é agradecer à população e aos meus colegas políticos e vou pedir à Deus que acompanhe eles, por que ser político em uma época como a nossa é muito difícil. Neste mês eu vi um senador falando que o Senado da República está passando vergonha na nação. Eu não falo o Senado da República. Eu falo o Brasil todo.

Folha – Você é o presidente do PSD local. Por que você vai deixar o partido?

Ilídio – Por sossego. Meu tempo venceu em Araputanga. Eu acho que nasce outro para cuidar daquilo que eu cuidava.

Folha – Em sua proposta de trabalho quando disputou a última eleição você prometeu reformar o prédio da Câmara Municipal. Isso não vai ser feito?

Ilídio – Não. O dinheiro estava aí. Eu devolvi para a Prefeitura fazer o que quiser. Eu não vou enfeitar boneca para ninguém beijar. Eu briguei pela água, briguei por direitos da comunidade e não fui eleito. Então não precisa que eu enfrente uma briga com o TCE para deixar um prédio bonito, embelezar e para vereador falar de mim depois.

Folha – Na próxima eleição você será candidato?

Ilídio – Não tenho pretensão. A resposta à essa pergunta pertence à Deus. Eu não tenho nenhuma vontade para voltar à política.

Folha – O que você espera da política municipal no próximo mandato?

Ilídio – Eu espero que Deus abra os caminhos e faça aquilo que ele quer, por que o futuro de Araputanga só Deus sabe. Eu não posso julgar ninguém. Quem julga é Deus.

Folha – Você foi o idealizador e batalhou muito para construir o Lago Azul de Araputanga, mas saindo da política parece, também, que você deve deixar de comandar o Lago Azul. E agora?

Ilídio – O Lago Azul não é meu. O Lago é de uma criança que nasce hoje e de toda população. A sociedade é dona do Lago Azul. Nós não devemos apedrejar o que é nosso. Nós devemos zelar. Por isso que eu disse que nós estamos longe de ser primeiro mundo, do país que eu conheci. Nos EUA você não pode pegar um galho de flor de uma planta que logo alguém grita com você: aí, não, aí é nosso. Hoje, enquanto um derruba uma árvore no Lago, há quem bata palma do outro lado. É um comportamento que parece não ter amor à bandeira de Araputanga e do Brasil. Isso eu aprendi lá fora. O brasileiro tem que carregar a bandeira no peito. A coisa mais linda do mundo é a bandeira do Brasil. Suas cores faz a diferença entre todas as nações: ela é verde, branca, amarela e azul, a cor do céu. Isso para mim é um orgulho. Por isso pedi uma bandeira à Câmara para quando eu morrer, colocar a bandeira do município em cima de meu caixão por que esse é meu orgulho de ser araputanguense, há 42 anos, aqui, honrei com minhas obrigações.

Folha – Em outra pergunta você falou que é um vereador pobre e sem letras, mas, você é o idealizador para o surgimento da Folha de Araputanga. Como é isso?

Ilídio – Isso é um sentimento de amor por Araputanga. Aqui tem imprensa que só publica se paga, ou se der lucro, ou se for do grupo. Nós somos diferentes. Abrimos esse Jornal em parceria com você (Sebastião Amorim). Temos um Jornal sério e honesto que não se troca por dinheiro, por vaidade, mas, fala a verdade doa a quem doer. Se hoje “eu for embora desta terra” alguma coisa eu fiz para o povo de Araputanga ter uma defesa. Você continuará e essa defesa, eu acredito que esse Jornal, será em prol da população de Araputanga esse eu ofereço para a população, porque Araputanga merece ter uma defesa honesta e transparente: esse é o nosso Jornal, Folha de Araputanga.

Folha – Um grupo de pessoas comemorou sua derrota na eleição e podem estar esperando que você mude de Arapu-tanga. Você mudará da cidade?

Ilídio – Não. “Minha casinha” tá lá em cima (cemitério), junto com minha mãe. Eu vou ficar aqui até morrer. Eu vou passear nos EUA, visitar meu filhos de novo, mas jamais deixarei Araputanga. Se precisarem de mim, do meu apoio, podem contar comigo, eu não deixo de ser araputanguese.

Folha – Nós “vimos” uma política que não desenvolveu a cidade. O que nos falta para o desenvolvimento?

Ilidio – União de todos. Cada um fazer sua parte. Porque não é só política que faz a cidade. É o povo da cidade, também. Eu falo palavras duras que muitas pessoas criticam, mas a hora é agora: unir e avançar, em uma batalha aquele que não avança perde a guerra, por isso precisamos avançar.

Folha – Obrigado. Quais são as suas palavras finais?

Ilídio – Eu ofereço o título de Cidadão Matogrossense que recebi à população que me deu apoio e que me deu força. Na hora da dificuldade orou por mim e me deu força para vencer. Hoje sou mais feliz do que antes, porque tenho o meu dever cumprido e ofereço também, para a imprensa que me critica que hoje enfrenta vários processos, em um deles recebeu multa de R$53.205,00 e no outro também já foi multado pelo mesmo valor, mas, recorreu. Então a multa para esse tipo de imprensa já alcança R$106.410,00 por não seguir as regras , para você ter uma ideia, há casos em que o sujeito não pode ter nenhuma agulha no próprio nome porque pode ser bloqueado pela Justiça, por causa de processo. Eu, ao contrário, depois de 16 anos atuando como vereador termino meu mandato sem nenhum processo de bem com a sociedade e com a população.